Friday, November 01, 2013

Sete perguntas para Rick Wakeman


Richard Christopher Wakeman - sim, o Rick Wakeman - nasceu no dia 18 de maio de 1949 em Perivale, uma área suburbana localizada na parte oeste de Londres, Inglaterra, trazendo alegria e felicidade ao casal Cyril Frank Wakeman e Mildred Helen Wakeman. O jovem Rick começou a estudar piano aos 5 anos de idade, frequentou aulas de clarinete e formou uma banda de jazz tradicional aos 12 anos, teve aulas de orgão de tubos aos 13 e entrou para uma banda de blues chamada The Atlantic Blues aos 14 anos de idade. Em 1966 ele comprou seu primeiro carro (uma das suas paixões) e também tocou na sua primeira BBC sessions, com o James Royal Set, na Radio One (John Entwhistle, do The Who, tocou baixo nesta sessão). Em 1968 ele garantiu um lugar no conservatório Royal College of Music, estudando piano, musica moderna, clarinete e orquestração por um ano, abandonando as aulas para dedicar-se ao seu trabalho como músico de estúdio.

Em junho de 1969, Rick Wakeman gravou um Mellotron na música "Space Oddity", do David Bowie (lançada em Julho de 1969) e também gravou piano no primeiro álbum da banda Strawbs, "Dragonfly", juntando-se à banda no ano seguinte. Em julho de 1970, os Strawbs gravaram seu segundo álbum, "Just A Collection Of Antiques And Curios - Live At The Queen Elizabeth Hall". O concerto que originou este disco foi um dos primeiros eventos na vida de Rick Wakeman a chamar a atenção da grande imprensa (o Melody Maker chamou-o de "Tomorrow's Superstar" em uma matéria), aumentando em muito sua demanda como músico de estúdio, sendo requisitado a gravar com vários artistas. Em 1971, Rick gravou o terceiro álbum dos Strawbs, "From The Witchwood", mas saiu da banda assim que o disco estava pronto. Também em 1971, Rick comprou seu primeiro Minimoog, das mãos do ator Jack Wild que, por não saber que o Minimoog se tratava de um sintetizador monofônico e achando que o instrumento estava avariado, vendeu-o por metade do preço original. No mesmo ano, Rick Wakeman gravou com Cat Stevens ("Morning Has Broken"), David Bowie ("Life On Mars?", "Changes" and "Oh! You Pretty Things", entre outras faixas do disco "Hunky Dory", do Bowie) e Lou Reed (no seu primeiro disco solo, "Lou Reed", lançado em Abril de 1972).

Naturalmente, Rick Wakeman já era um músico conhecido na época, mas sua vida e popularidade deram uma guinada maior após um telefonema que ele recebeu de um certo Chris Squire, baixista de uma certa banda chamada Yes. Rick Wakeman dissse sim ao Yes e, em agosto de 1971, Jon Anderson, Chris Squire, Steve Howe e Bill Bruford tinham um novo tecladista na banda. E não só um tecladista, mas O tecladista. Rick Wakeman trouxe os elementos certos que a banda necessitava para dar continuidade à sua busca pela orquestração perfeita do rock progressivo. O Yes lançou o disco "Fragile" em novembro de 1971 e Rick Wakeman tocou nos Estados Unidos da América pela primeira vez com seus novos amigos. E, como não poderia ser diferente, o fato de ser um membro do Yes atraiu ainda mais as atenções para Rick, o que lhe proporcionou a assinatura de um contrato como artista solo com a A&M Records, no final de 1971.

Em 1972, Rick Wakeman gravou seu primeiro disco solo, "The Six Wives Of Henry VIII", paralelamente aos concertos e tours com o Yes e às gravações de "Close To The Edge", o quinto LP da banda (o segundo com Rick), lançado em setembro de 1972, e também às gravações de "Yessongs", um disco triplo e filme registrados ao vivo nos seus concertos daquele ano. Oliver Wakeman, seu primeiro filho, nasceu em 1972.

"The Six Wives Of Henry VIII" foi lançado em janeiro de 1973 e o álbum triplo "Yessongs" foi lançado em março seguinte. Na segunda metade do ano, o Yes iníciou as gravações do seu sexto disco de estúdio, o LP duplo conceitual "Tales From The Topographic Oceans",  lançado em dezembro de 1973. O álbum foi controverso até mesmo dentro da banda e é fato conhecido que Rick Wakeman não gostou do resultado, o que o levou a sair do Yes logo após a tour de lançamento do disco. Durante as gravações de "Tales From The Topographic Oceans", Rick ainda encontrou tempo para participar do disco "Sabbath Bloody Sabbath", do Black Sabbath.

A segunda noite, de uma série de dois concertos realizados no dia 18 de janeiro de 1974, resultou na gravação do disco "Journey To The Center Of The Earth", não apenas o segundo LP solo do Rick Wakeman e não apenas seu disco mais famoso e mais bem-sucedido, mas também um dos discos mais famosos da era de ouro do rock progressivo. Particularmente, quase todas as pessoas que eu conheço têm (ou tiveram em algum momento) este disco. E não poderia ser diferente, o resultado obtido na mistura da London Symphony Orchestra, do English Chamber Choir, de uma ótima banda de rock, de dois vocalistas interpretando letras baseadas no livro homônimo de Julio Verne, de sintetizadores Moog, de Mellotrons, de piano, piano elétrico, clavinente, orgão Hammond e da famosa capa prateada, tudo isso em uma embalagem colorida fez com que "Journey To The Center Of The Earth" pegasse em cheio praticamente todos os fãs de rock, de todas as partes do mundo. Também em 1974 nasceu Adam Wakeman, segundo filho de Rick.

Depois de uma apresentação de "Journey To The Center Of The Earth" no Crystal Palace Bowl, Rick Wakeman teve um desmaio, sendo levado ao Wexham Park Hospital, onde suspeitou-se de um ataque cardíaco. Durante as semanas que permaneceu no hospital, ele escreveu seu terceiro disco solo, "The Myths And Legends Of King Arthur And The Riders Of The Round Table", gravado entre o final de 1974 e o início de 1975, e lançado em abril de 1975. Mesmo com a recente internação hospitalar, Rick viajou por boa parte do mundo em 1975, tocando no Japão, Australia e, pela primeira vez, no Brazil (em setembro de 1975. Infelizmente eu não pude ir, pois nasci algumas semanas após seus concertos no Brazil). Também em 1975 foi lançado o LP com a trilha sonora do filme "Lisztomania" (em novembro, com peças do compositor Franz Liszt, entre outras, interpretadas por Rick Wakeman - que também teve uma participação atuando na película) e Rick quase foi à falência, perdendo uma grande quantidade de dinheiro investido na produção de um extravagante concerto que misturava o Rei Arthur com patinação no gelo, no Wembley Empire Pool. Em maio de 1976 o disco "No Earthly Connection" foi lançado e, em novembro ele decidiu voltar ao Yes, mudando-se para a Suiça por alguns meses, já que a banda estava lá gravando seu novo álbum, "Going For The One". O processo de gravação foi filmado quase na íntegra e existem algumas horas de filmagem disponíveis no Youtube. "Going For The One" foi lançado em julho de 1977, mesmo ano que Rick lançou seus LPs solo "White Rock" e "Criminal Record". "Tormato", o nono álbum de estúdio do Yes, foi lançado em 1978, com Rick Wakeman deixando a banda novamente pela segunda vez, também logo após a tour de lançamento, no ano seguinte (Jon Anderson também deixou a banda nesta mesma ocasião). Benjamin Wakeman, seu terceiro filho, nasceu em 1978. Rick Wakeman lançou o álbum duplo "Rhapsodies", em maio de 1979.

Durante os anos 80, Rick Wakeman continuou lançando alguns bons discos (sendo os melhores exemplos - na minha opinião - a trilha sonora do filme "The Burning" e o álbum conceitual baseado no livro de George Orwell, "1984", ambos lançados em 1981), envolvendo-se mais e mais com o futebol (outra das suas paixões. Ele foi diretor do Brentford Football Club em 1979 e presidente do Camberley Town Football Club em 1983, além de gravar a trilha sonora do documentário oficial da Copa do Mundo da FIFA de 1982, na Espanha), divorciou-se e casou por duas vezes durante a década, foi pai de sua primeira filha mulher, Jemma Wakeman (nascida em fevereiro de 1983), tornou-se entusiasta do golfe, teve seu quinto filho, Oscar Wakeman (nascido em 1986), e voltou a juntar-se aos colegas de Yes na banda/projeto quase-Yes Anderson, Bruford, Wakeman and Howe, em 1989. Nos anos 90, ele juntou-se ao Yes pela terceira vez (quando o ABWH e o então chamado Yes - capitaneado pelo baixista Chris Squire - juntaram-se para gravar o disco "Union"), deixou o Yes novamente, voltou para o Yes mais uma vez (em 1996, para a gravação do álbum "Keys To Ascension", mas deixando a banda mais uma vez antes da tour subsequente), lançou discos solo, gravou e saiu em tour com seu filho Adam Wakeman, escreveu sua biografia sem criar polêmica e sem echer o saco de ninguém ("Say Yes!", publicada pela primeira vez em 1995), e gravou uma sequência para "Journey To The Center Of The Earth", chamada "Return To The Center Of The Earth" (lançado em 1999). Em 2000, um DVD ao vivo foi registrado na Argentina ("Live In Buenos Aires", lançado em 2001). Em 2004, Rick divorciou-se da sua terceira esposa, Nina Carter, e também falou em público pela primeira vez sobre Amanda Wakeman, sua filha americada fora do casamento, nascida em 1986. Na mesma época, ele apareceu pela primeira vez no programa de TV inglês Grumpy Old Men, da BBC. Depois do sucesso de Grumpy Old Men, Rick Wakeman tornou-se uma figura constante em vários programas de TV na Inglaterra e lançou mais dois livros cheios de histórias divertidas (ele é um ótimo contador de histórias e escritor): Grumpy Old Rockstar and other wondrous stories" (2008) e "Further adventures of a Grumpy Old Rockstar" (2010), nenhum deles lançado no Brazil, para variar.

Eu realmente não sei qual foi o momento exato nem como eu tive meu primeiro contato com a obra do Rick Wakeman, mas sei que eu era muito, muito novo, porque eu lembro que eu queria "ser tipo o Rick Wakeman" na miha infáncia e adolescência, descobrindo que eu queria ser músico e que precisava tocar aquele instrumento que eu lia em várias capas de vários discos de várias bandas: sintetizador Moog! Mas meu contato com o Rick Wakeman para esta entrevista foi via Wayne Smith, o webmaster do site oficial do Rick. O Wayne foi muito bacana em me responder prontamente, logo que recebeu minha solicitação para esta entrevista, me pedindo para enviar as perguntas, para que Rick as respondesse tão logo quanto pudesse. Em poucos dias eu recebi um email muito bacana, com as respostas de Rick e é isso aí, minha gente, eu entrevistei um dos super-heróis da minha infância, Mr. Rick Wakeman!


ASTRONAUTA - Rick, quais foram as suas primeiras influências, tanto na música erudita quanto na música popular?

RICK - Tendo começado meus estudos clássicos com cinco anos de idade e sendo o rádio um veículo muito limitado nos anos 50, não era fácil ouvir música popular, exceto por programas ocasionais de música pop no rádio. No final dos anos 50, a música popular começou a aparecer na televisão e eu fiquei fascinado pelo skiffle e por Lonnie Donegan, que mais tarde acabou virando um grande amigo meu. Eu acho que todos os músicos jovens acabam sendo influenciados por vários tipos de música e, embora eu tivesse meus preferidos, nunca quis copiar nem soar como ninguém.

Conforme fui crescendo, meu amor pela música clássica do hemisfério leste foi aumentando. E com Prokofiev sendo meu maior herói.

ASTRONAUTA - Como e quando você encontrou Robert Moog pela primeira vez e quais são suas lembranças de Bob Moog?

RICK - Encontri Bob pela primeira vez em 1971, e permanecemos grandes amigos até o dia da sua morte. Ele mudou a história para os tecladistas e, literalmente, para todas as formas de música, do rock às trilhas de filmes. Ele era extremamente modesto, amava os músicos e encontrava tempo livre para todo o mundo. Sem ele, a música certamente soaria diferente hoje em dia.

ASTRONAUTA - Quantos sintetizadores Minimoog Model D você teve durante toda sua carreira e quantos destes Minimoogs você ainda possui? Você pode nos contar um pouco sobre a história dos seus Minimoogs?

RICK - Eu não sei a resposta exata, mas eu acho que eu tive uns vinte Minimoogs durante minha vida, provavelmente. Atualmente, eu tenho 9. Encontrar um realmente bom é muito difícil. Tenho um ótimo técnico, que conserta e mantém-os em ordem para mim. Não consigo nem mesmo me imaginar não tendo um. Compro eles nos mais diferentes países, e acabei comprando um na Suiça que, surpreendentemente, tinha já tinha sido meu, lá no início dos anos 70!

ASTRONAUTA - E Mellotrons? Você ainda possui um Mellotron (ou um Birotron)?

RICK - Não... Eu uso um Memotron hoje em dia, que é sensacional. Faz tudo o que um Mellotron fazia, porém sem todos os problemas!

ASTRONAUTA  - Em 1975 você veio ao Brazil pela primeira vez, sendo um dos primeiros superstars - vou usar esta palavra, se você não se importar - do rock progressivo a se apresentar por aqui. Quais são suas memórias a respeito destes concertos no Brazil?

RICK - Tenho as melhores e mais fantásticas memórias sobre este período. Me apaixonei pelo Brazil no dia que cheguei aí e esta paixão pelo país e pelas pessoas nunca mudou. Uma grande fonte de inspiração. Nós tocamos "Journey To The Center Of The Earth" naquela tour e espero que possamos voltar ai novamente, em breve.

ASTRONAUTA - Qual seu álbum e música favoritos do Yes?

RICK - Albums favoritos... "Fragile"... "Close To The Edge"... E música favorita, "Awaken", do álbum "Going For The One".

ASTRONAUTA - E dos seus disco solo, se você fosse escolher um preferido, qual seria?

RICK - A resposta muda a cada dia!!!... Mas hoje, provavelmente, a nova versão de estúdio para "Journey To The Center Of The Earth", com 55 minutos de duração.








3 comments:

  1. Excelente Astronauta! A sinopse e a entrevista! Tive a honra de assitir o Rick Wakeman tanto em 1975 no Gigantinho com Viagem ao Centro da Terra quanto agora em 2012 quando ele se apresentou no Bourbon Country com um repertório parte do Yes e parte próprio. Nesse show de 2012 deu para perceber (dentro das minhas limitações de simples ouvinte) que ele consegue misturar os Minimoogs com Rolands e Korgs atuais e reproduzir os antigos sons com seus timbres básicos "embelezando-os" com os novos recursos sem fugir do original. Outra coisa que deu para perceber também agora em 2012 é o carater brincalhão dele e a facilidade de acesso pelo público. Como dizemos por aqui: é um "figuraço"...!

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    1. Oi! O Rick Wakeman parece ser mesmo uma figuraça. Quero ter a oportunidade de encontra-lo pessoalmente uma hora dessas, ele deve ser um cara muito divertido!
      Que legal saber que tu assistiu a apresentação de 1975!!!! Tenho uns amigos que assistiram a este mesmo show aqui em São Paulo, e acho que o Jimi Joe assistiu no Gigantinho tb, pelo que lembro ele me dizer. Quais são tuas lembranças daquele show no Gigantinho?

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  2. Putz cara que entrevista interessante, parabéns pelas perguntas, continue assim !

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